Argentina define cenário para eleição presidencial de outubro

Argentina define cenário para eleição presidencial de outubro

Os argentinos vão às urnas neste domingo (14) decidir quais candidatos poderão concorrer às eleições. Na prática, se define se Cristina se reelege ou não em primeiro turno.

Por Vanessa Silva, de Buenos Aires

Presidenta vota nas Abertas Simultâneas Obrigatórias em Río Gallegos

Presidenta vota nas Abertas Simultâneas Obrigatórias em Río Gallegos/ Foto: Infolatam

O primeiro passo para decidir quem será o futuro ou a futura presidenta da Argentina será dado neste domingo (14) com as Primárias Abertas Simultâneas Obrigatórias (Paso). Quase 29 milhões de argentinos deverão votar, em sistema inédito no país, para definir os candidatos, de cada força política, que poderão concorrer em 23 de outubro, quando será realizada a eleição presidencial.

Apesar da intenção inicial, de que esta votação funcionasse como uma prévia, onde os cidadãos escolhessem os candidatos para concorrer à eleição oficial, a maior parte dos partidos e frentes políticas fez acordos prévios e se apresenta com candidatos únicos.

Dessa forma, as Paso serão, na prática, algo diferente do que previram seus idealizadores, funcionarão como uma “consulta popular”, sendo mais que uma pesquisa de intenção de votos, mas não tanto uma votação que designe autoridades.

O que está em jogo

Com ampla vantagem, a atual presidente da Argentina e candidata à reeleição, Cristina Kirchner, e seus aliados, buscam comprovar o favoritismo que permitiria a ela ser reeleita em primeiro turno. Para isso, precisa receber mais de 45% dos votos neste domingo (14), quantidade que se repetiria em outubro, evitando o segundo turno.

A oposição, por sua vez, concentra esforços para definir quem será o segundo melhor colocado: o peronista Eduardo Duhalde ou o social-democrata Ricardo Alfonsín, e assim se concentrar no chamado “voto útil” para tentar forçar um segundo turno.

Derrotismo e entusiasmo

Nos últimos dias, a oposição espalha a crença de que a atual presidenta não terá uma vitória ampla. Em apoio a essa crença diz que existe uma onda anti-kirchenerista no país, por causa de derrotas nas eleições distritais em Buenos Aires, Córdoba e Santa Fé. Para a oposição, esses resultados comprovariam uma tendência “imbatível”. Assim, aproveitou para tentar espalhar uma onda derrotista, ao mesmo tempo que propaga o “entusiasmo” numa virada histórica da oposição.

Este é o cenário que será desenhado de forma mais clara . Um bom desempenho dos 9 candidatos que fazem oposição a Cristina poderá ser um recado claro de descontentamento da população com o governo. Por outro lado, uma aprovação massiva, poderá deixar a oposição novamente sem rumo definido. Bem avaliada e liderando uma corrente política que galvaniza as forças de esquerda e centro-esquerda, sob a bandeira do nacionalismo popular, a presidente Cristina Kirchner confia numa boa largada neste domingo.

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