Cobertura das eleições na Bolívia reflete mídia, que vive de costas para a AL, diz Cannabrava

Cobertura das eleições na Bolívia reflete mídia, que vive de costas para a AL, diz Cannabrava

A Bolívia realizará eleições presidenciais no próximo domingo (12/10). A falta de cobertura do processo eleitoral no país andino pelos meios de comunicação no Brasil reflete a lógica de uma mídia que “sempre viveu de costas para a América Latina e com a cabeça nos Estados Unidos e na Europa”, afirmou o veterano jornalista Paulo Cannabrava Filho, um dos responsáveis pelos históricos “Cadernos do Terceiro Mundo” e atualmente editor do site Diálogos do Sul.

Por Leonardo Wexell Severo, da ComunicaSul

Neste sentido, o jornalista elogiou a iniciativa da ComunicaSul (Comunicação Colaborativa) que fará a cobertura do processo eleitoral. “A ComunicaSul reforça o elo entre os países latino-americanos. Aproxima o povo brasileiro da informação sobre a nossa história comum, reafirmando o caminho de desenvolvimento e soberania a ser construído”, considerou.

O jornalista defendeu a importância do “fortalecimento da integração entre os povos do Continente” e destacou a iniciativa dos meios de comunicação que integram a iniciativa da ComunicaSul, integrada pelo, Centro de Estudos de Mídia Barão de Itararé, jornais Hora do Povo, Brasil de Fato, Diálogos do Sul e CUT.

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Cannabrava recorda outras iniciativas criadas com este propósito. “Lembro que desde o final da década de 1960, início dos anos 1970, tivemos a tentativa de governos progressistas da Argentina, Equador, Panamá, Peru e da própria Bolívia de criar este elo de comunicação. No Peru, os meios de comunicação chegaram a ser expropriados e entregues aos trabalhadores. Com isso, acirrou-se o debate e repercutiu de tal forma que a Unesco, da ONU, criou a Comissão McBride para analisar a questão e propor alternativas”.

Na época, “a questão central era o rompimento do monopólio de quatro agências de países imperialistas e da concentração da propriedade dos meios em mãos de oligarquias conservadoras. As agências controlavam o noticiário mundial para impor verdades coloniais, dominação política, econômica, ideológica”, frisou.

Deste esforço, sublinhou Cannabrava, “surgiram iniciativas como a Prensa Latina, a Inter Press Service, o pool de agências dos países não-alinhados, a Ação de Sistemas Informativos Nacionais (Asin) – integrando agências estatais, entre outras que deram com os burros n’água assim que os governos progressistas foram derrubados por ditaduras pró-Washington”.

A Cadernos do Terceiro Mundo, ressaltou o veterano jornalista, nasceu em espanhol, sendo posteriormente publicada também em inglês e português, com distribuição nos cinco continentes. “Com esta mesma visão e compromisso criamos o Diálogos do Sul, que tem por objetivo criar elos horizontais entre os países, não verticais entre poderes. Queremos mostrar nossa cultura, que é o que a nossa população cria, o que faz, suas lutas, seu modo de produzir. Pois, como dizia José Carlos Mariátegui, Revolução é criação heroica. Esta é a mensagem que queremos levar, os princípios do bolivarianismo, da integração contra a globalização neoliberal, o ideal da Pátria Grande”, destacou Cannabrava.