Colômbia: Piedad quer que sociedade participe de diálogos de paz

Colômbia: Piedad quer que sociedade participe de diálogos de paz

Piedad Córdoba reclama participação de movimentos sociais durante negociações de paz/ Foto: EFE/Leonardo Muñoz

A ex-senadora e integrante do movimento Colombianos e Colombianas Pela Paz, Piedad Córdoba, afirmou, durante coletiva de imprensa nesta sexta-feira (19) que os diálogos de paz entre o governo colombiano e as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) deve colocar em debate o atual modelo de desenvolvimento que impera no país.

Por Vanessa Silva

Córdoba declarou que existe “um modelo de desenvolvimento gasto”, que permite o saque dos recursos naturais e a mineração extrativista, entre outros.

“Este país tem que dar um passo para a democracia participativa. Esses acordos (entre o governo e as Farc) não podem ser legitimados se não levarem a experiência das organizações sociais (…) o que queremos são acordos duradouros e não efêmeros”. A ativista acrescentou que os meios de comunicação devem se transformar em “porta-vozes da sociedade civil”.

Para a defensora dos direitos humanos, se não existe a vontade de mudança profunda do modelo político e econômico na Colômbia, o resultado vai gerar “uma nova geografia da guerra”. Para ela, todos os setores da sociedade devem participar desse diálogo, não somente a insurgência e o governo.

Além dos cinco pontos definidos na agenda das negociações entre o governo de Juan Manuel Santos e as Farc, a sociedade civil tem suas inquietações e preocupações que têm que ser tomadas em conta, como destacou a ativista.

A militante lembrou que nas últimas décadas, na Colômbia, houve 60 mil pessoas desaparecidas, oito milhões de hectares “arrebatadas” dos camponeses e mais de 100 mil execuções extra judiciais.

A ex-senadora acrescentou que as próximas etapas dos diálogos de paz, que serão realizados em Havana, Cuba, devem ser transmitidas diretamente para o povo saiba sobre o desenvolvimento das negociações.

Há quase 50 anos, a Colômbia vive um profundo conflito interno armado que ainda não foi superado, apesar das reiteradas intenções de acordos entre o Estado e os grupos insurgentes, como também com organizações paramilitares de ultradireita.