Dilma prioriza Andes a Alpes: Saiba o que Bolívia tem a ensinar ao mundo e ao Brasil

Dilma prioriza Andes a Alpes: Saiba o que Bolívia tem a ensinar ao mundo e ao Brasil

Enquanto um punhado de países se reuniam em Davos, na Suíça, um presidente indígena e cocaleiro tomava posse, pela terceira vez consecutiva, em um país subdesenvolvido. Destino considerado natural pela imprensa brasileira, o Fórum Econômico Mundial foi preterido pela mandatária brasileira, Dilma Rousseff, que preferiu acompanhar a cerimônia de posse de Evo Morales nesta quinta-feira (22/01).

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Esta foi a primeira vez que Dilma visitou a Bolívia| Foto: Facebook

Como era de se esperar, os meios de comunicação no Brasil criticaram a escolha da presidenta recém-reeleita e consideraram que ela deveria ter ido pessoalmente beijar a mão dos investidores internacionais para recuperar a imagem do país no exterior. Ao invés disso, Dilma mandou o ministro da economia, Joaquim Levy, e o presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, segura de que eles saberiam o que fazer enquanto ela foi se encontrar com parceiros sul-americanos.

O Brasil apresenta uma situação econômica de risco. De acordo com Joaquim Levy, em Davos, o país pode fechar o trimestre em recessão. Já a Bolívia, que já chegou a ser chamada, na televisão brasileira, de insignificante, caminha na contramão dos países ricos e emergentes.

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“Espero cumprir dignamente este mandato sagrado que tenho a obrigação de depositar ao povo”, disse Evo| Foto: ABI

Ao invés de cortar gastos, como propõe a política de austeridade imposta pela União Europeia à Grécia e Croácia, e pelos “analistas” e “especialistas” ao governo brasileiro, o país andino apresenta crescimento econômico vigoroso, de 5% ao ano, sem reduzir investimentos sociais ou direitos trabalhistas e é, depois de Cuba, a nação latino-americana que mais investe em educação, destinando 7,9% do PIB para este fim. Como resultado disso, desde agosto de 2014, a Bolívia é um território livre de analfabetismo.

A importância boliviana para o Brasil passa também pelo comércio, já que este é o maior parceiro comercial da nação plurinacional. Além de ser crucial fornecedor de gás para o Brasil, o novo sócio do Mercosul destina 40% das exportações ao vizinho. O intercâmbio comercial bilateral passou de US$ 818 milhões em 2002 a US$ 4,9 bilhões em 2012.

Em vídeo, o embaixador brasileiro na Bolívia, Antônio José Rezende de Castro, fala mais sobre a importância estratégica do país com a maior fronteira compartilhada com o Brasil:

Além disso, a nação indígena trabalha no desenvolvimento de um outro tipo de sociedade, definida pelo vice-presidente do país, matemático e sociólogo, Álvaro García Linera, como “pós-capitalista”. O modelo usa a produção comunitária como “base” para chegar ao comunismo.

Durante seu discurso de posse, Linera ressaltou que o socialismo é um “longo” processo de transição no qual o Estado revolucionário e os movimentos sociais se fundem para que as decisões sejam democratizadas e as atividades econômicas entrem na lógica comunitária, “ao invés da lógica do lucro”.

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Diversas pessoas se reuniram na Praça Murillo, em La Paz, para acompanhar posse de Evo

“Socialismo é democracia representativa no Parlamento, mais democracia comunitária nas comunidades agrárias e urbanas, democracia direta nas ruas e fábricas, em meio a um governo revolucionário, um Estado dos movimentos sociais”, definiu Linera.