Honduras: cinegrafista do Partido Livre é executado com três tiros

Honduras: cinegrafista do Partido Livre é executado com três tiros

O cinegrafista Manuel Murillo Varela, militante oposicionista e candidato a deputado pelo Partido Livre (Liberdade e Refundação), da candidata à presidência Xiomara de Castro Zelaya, foi encontrado sem vida, nesta quinta-feira (31), com três tiros no rosto, na colônia Independência, Comayagüela, em Tegucigalpa, capital de Honduras.

Por Leonardo Wexell Severo*

"Não se mata a liberdade matando jornalistas"

“Não se mata a liberdade matando jornalistas”

Com a morte do jovem de 32 anos, já somam 25 os profissionais de imprensa assassinados após o golpe militar de 28 de junho de 2009, patrocinado pelo Comando Sul dos Estados Unidos contra o presidente Manuel Zelaya.

Murillo havia documentado a sangrenta repressão aos protestos da Frente Nacional de Resistência Popular (FNPR), que levantou o país em repúdio aos golpistas e sua política de privatização e desnacionalização do patrimônio público, arrocho salarial e corte de direitos sociais.

De posse do vídeo que incriminava vários policiais militares e paramilitares, o jovem protocolou uma denúncia junto ao Comitê de Familiares de Detidos e Desaparecidos de Honduras (Cofadeh) e reapre-sentou as provas à Comissão da Verdade e Reconciliação (CVR).

Diante da ameaça de que seria morto e que teria “sua família assassinada sem contemplação”, Murillo recorreu à Comissão Interamericana de Direitos Humanos, que lhe concedeu várias medidas cautelares. Ele chegou a ser sequestrado e torturado por policiais vestidos de civil em fevereiro de 2010, sem que o governo de Porfírio Lobo tomasse qualquer medida para proteger sua vida.

Em julho deste ano foi raptado e desaparecido o jornalista Anibal Barrow, um dia após ter entrevistado em seu programa televisivo o líder sindical Juan Barahona, membro da coordenação da FNRP e candidato à vice-presidência da República pelo Partido Livre. Como recorda Idalmy Carcamo, dirigente da Confederação Unitária de Trabalhadores de Honduras (CUTH), “não só mataram Anibal a tiros, o cortaram em pedaços, esquartejaram seu corpo e o queimaram. Depois, jogaram numa lagoa para os crocodilos”. “Reina em Honduras uma total impunidade, que amplifica as ameaças contra professores, camponeses e lutadores pelos direitos humanos”, sublinhou.

*Leonardo Wexell Severo é jornalista e colaborador deste blog

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