Por imunidade, Martinelli toma posse em órgão chamado por ele de "antro de ladrões"

Por imunidade, Martinelli toma posse em órgão chamado por ele de “antro de ladrões”

Em tempo recorde, o ex-presidente do Panamá Ricardo Martinelli, assim que deixou o governo de seu país, voou para a Guatemala, país sede do Parlacen (Parlamento Centro-americano), e foi juramentado deputado pela presidente do organismo, Paula Rodríguez.

De acordo com o estatuto do Parlacen, presidentes e vice-presidentes podem ser deputados do organismo ao concluir o mandato. Normalmente isso acontece após 15 dias, mas Martinelli não demorou um dia sequer para se integrar ao organismo que havia chamado anteriormente, por diversas vezes, de “antro de ladrões”.

Foto: AFP

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Em entrevista concedida a jornais guatemaltecos na terça-feira (1º/07), afirmou que desconhecia “as funções do Parlacen na integração latino-americana e que gostaria de colaborar a esse respeito”. Em seu Twitter, o mandatário se justificou: “integrei o Panamá à América Central, sou crente fiel da integração. Creio em suas instituições. Se opinei ao contrário foi por desconhecimento”.

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Meios de comunicação especulam que com o ato, o ex-mandatário busca imunidade já que além das denúncias de irregularidades no país, Martinelli é citado em um caso de corrupção internacional envolvendo contratos entre o governo do país e o conglomerado italiano Finmeccanica.

Organizações e movimentos sociais do país denunciam que durante sua gestão aumentou a venda ilegal de terras e bens do Estado. Além disso, aumentaram os casos de corrupção, impunidade, concentração de poder, perseguição e repressão. No âmbito econômico, além da dívida deixada pelo governo, a inflação e a falta de serviços públicos assolaram a população.