Vídeo: Sob o olhar dos 43 estudantes desaparecidos, jovens denunciam que “México foi destruído”

Vídeo: Sob o olhar dos 43 estudantes desaparecidos, jovens denunciam que “México foi destruído”

Há mais de dois meses seis jovens foram assassinados, outros 43 desapareceram e mais de 20 pessoas ficaram feridas com as ações ocorridas no dia 26 de setembro na cidade de Iguala, no estado de Guerrero, no México. Apenas um dos sumidos teve os restos identificados até o momento: Alexander Mora Venancio, de 19 anos.

Ouça o programa da Rádio Maíz: Ouvidos Abertos aos Sons da América Latina em homenagem aos 43 jovens que desapareceram no México por protestar por melhores condições de ensino:

“O crime contra os estudantes da escola de Ayotzinapa se converteu em uma espécie de espelho no qual milhões de mexicanas e mexicanos indignados nos somamos para olhar o horror em que vivemos. Neste estado de exceção permanente que ameaça liquidar por completo com nosso México. Um espelho no qual nos reconhecemos como aquela parte da sociedade mais ampla e majoritária sobre a qual se cometem uma avalanche de crimes em favor do lucros de poucos e em favor dos interesses geopolíticos de dominação mundial instalada com morte e violência. O espelho de Ayotzinapa é a partir do qual nos reconhecemos como aquela parte da sociedade sobre a qual está recaindo todas as injustiças, as violências, as formas de dominação, exploração e opressão e, portanto, é para nós o espelho através do qual nos olhamos como aqueles e aquelas capazes de quebrar isso e refundar a nação a partir dos olhos e rostos daqueles que, por mais de 500 anos tiveram a pátria negada”. Assim começa o manifesto feito por jovens e movimentos sociais no país que no final de novembro organizou o ato no Zócalo – Praça central – mexicano.

Os movimentos denunciam que o governo de Peña Nieto, além de vender o país para as multinacionais e desmantelar as garantias trabalhistas, em dois anos, já deixou mais mortos do que seu antecessor, Felipe Calderón, (2006-2012).

“As fotografias que colocamos hoje na praça são os olhares de 43 estudantes desaparecidos pelos quais olhamos a barbárie instalada como governo; através desses olhares nos vemos como um país destruído, mas também olhamos a esperança da qual pode sair a força coletiva capaz de impugnar isso e salvar o país”, dizem em forma de convocação para que os protestos não cessem.

No mesmo sentido, o parecer final do TPP (Tribunal Permanente dos Povos) , que passou quatro anos coletando dados de centenas de crimes e omissões por parte do governo, concluiu que o Estado mexicano, nos três níveis, é o autor e principal culpado por “crimes de lesa humanidade”.